Maio/07 – Os intervalos entre cada sessão de quimioterapia variam dependendo do tratamento. No meu caso, eu tinha vinte e um dias para me recuperar da surra antes de voltar ao ringue. A primeira semana foi marcada por turbulências físicas e emocionais e a segunda foi quase uma temporada na Guerra do Vietnã. Na terceira semana, eu finalmente tive trégua e encontrei tempo para firulas: decidir como cobriria a careca quando saísse em público.
A mãe de um amigo e uma prima, que já passaram por tratamentos quimioterápicos, emprestaram duas perucas. Tentei me acostumar com o novo acessório, desfilando pela casa ora com um penteado chanel com franjas ora com um estilo repicado-recatado. Nada feito. Eu me sentia uma mentirosa patética. Não queria mostrar a careca mas, ao mesmo tempo, não queria fingir que tinha cabelos. Honestamente, eu não critico quem utilize esse recurso. Não ter me adaptado à peruca foi frustrante até, já que eu tinha imaginado mil e um modelos bacanas para usar enquanto estivesse careca. Minha prima psicóloga – não a mencionada acima – disse que eu não consegui usar peruca por ter uma personalidade que não gosta de esconder os problemas, que prefere escancarar os obstáculos que surgem. Considerando-se que eu criei um blog para contar a minha experiência com o câncer, talvez ela tenha razão.
Independente do motivo, o fato é que eu precisava de outra opção. Eu até posso ter uma tendência a não esconder os problemas, mas andar por aí careca era um pouco demais. Minha segunda tentativa foi o lenço. Eu poderia colecionar uma porção deles e fazer combinações divertidas… mas não rolou. O lenço, por mais colorido que fosse, evidenciava minhas olheiras e me deixava com ar abatido e cara de doente. Além de aumentar consideravelmente as minhas bochechas gordinhas e minha testa larga. A situação estava começando a se complicar pois, se eu não me interessasse por nenhum chapéu, o próximo passo seria o look Carmem Miranda. Como as revistas de moda não apontavam as frutas tropicais como o must daquela estação, eu ‘me joguei’ nessa loja e saí de lá feliz da vida com minhas novas boinas.
E enquanto brincava de disfarçar meu visual ET, minha mente não parava a contagem regressiva para a próxima sessão de quimio.


Suas novas boinas… hum… fala a verdade, Dani, o quanto você está ligada a essa história (http://www.jesusmechicoteia.com.br/2007/08/23/boina-voadora/) do seu amigo gay? Ainda mais em uma postagem chamada “momento mulherzinha”…
Dani, eu sei que mulheres têm uma ligação espiritual com o cabelo e tal mas eu, particularmente, não acho nada feio uma mulher careca. Claro que ajuda se ela for a Samantha do Sex and the City ou aquela gostosa da novela que não lembro o nome, mas eu honestamente não acho feio.
Olá Dani, achei seu blog por acaso… venho de uma família com um histórico de câncer bastante acentuado, não tive, mas já acompanhei parentes durante as sessões de quimio e radioterapia.
Lendo sobre o que vc escreve (por sinal, muito bem!) mergulhei num mar de recordações, algumas doloridas, mas a maioria delas boas: ouvi uma vez um médico me afirmar que minha tia só teria mais alguns meses e isso já fez 12 anos! Milagres acontecem e eu acredito e torço pelo seu! Força guria. Forte abraço.
Putz! Eu ia comentar e-xa-ta-men-te a mesma coisa que o Ulisses!
Incrível como o cérebro fez a ligação. Uma simples palavra, boina, e pronto.
Dani, já experimentou os chapéus? Na galeria do rock têm uns lindos, lindos… só tome cuidado para não fazer um look latino-festa-no-apê-renata-ingrata hehehehe
Beijocas!
Dani, já frequento este seu cafofo há algum tempo. Nunca me manifestei, mas queria te dizer que você é foda. Torço por você. Precisando de um registro em vídeo da próxima sessão no cabeleireiro, grite.
E mulheres carecas têm, de fato, seu charme.
Daniela, Adorei a sua iniciativa de contar seu problema no seu blog. Senti muita força ao ler o que você passou o que me prepara para as coisas que vou ter que enfrentar.
Resolvi contar sobre minha doença também no meu blog: http://www.hynkel.blogger.com.br/
Quem sabe assim consigo ajudar as pessoas também.
Força!
Sabe o que cê podia fazer? Colocar datas aproximadas nos posts. Esse agora, por exemplo, é de quando? Junho?
Daniela, só descobri este blog – e o que você está passando – agora. Leio o Marco Aurélio há tempos, o balde de gelo, tenho o livro… Estava meio off line por causa dos bloqueios na empresa.
Estou rezando por você. Que tudo não passe de lembranças, bem em breve.
beijos