Maio/07 – No dia seguinte ao massacre, Marco foi me visitar. “Daniela, eu tenho uma boa e uma má notícia. Qual você quer ouvir primeiro?”. Eu sempre prefiro deixar a boa notícia por último. “A má é que suas olheiras gigantes estão cobrindo todo o seu rosto”. Eu podia imaginar. Estava me sentindo um pé de alface pisoteado por uma manada de búfalos obesos. Havia passado a noite sem dormir, com dores musculares em partes do corpo que eu nem sabia que existiam. O pescoço, ou o que sobrou dele, era praticamente uma palheta de cores que ia do vermelho ao preto, incluindo alguns tons de roxo e verde. O braço com o cateter estava enrolado em uma quantidade de atadura suficiente para confeccionar uma cortina para a sala da minha casa. Isso sem falar no pijama de florzinha combinando com a touca de lã, para esquentar a careca. Nossa, eu estava mesmo muito sexy naqueles dias…
Para piorar, quando a enfermeira retirou o curativo do braço, pudemos perceber que o braço direito estava inchado e esverdeado. A médica foi chamada e, mais uma vez, fez comentários encorajadores a respeito daquele procedimento. “Ai, Daniela, essa flebotomia só é usada em recém-nascidos. E mesmo assim quando a situação já não permite outras opções…Isso é muito perigoso…”. ‘Ok, agora que eu já estou bastante tranqüila e confiante em relação a essa mangueira saindo do meu braço, podemos descobrir o que está acontecendo?’, pensei. Mas antes que eu pudesse verbalizar qualquer pergunta, ela avisou que mandaria chamar o cirurgião vascular para dar uma olhada.
Quando Dr. Horse chegou, meu médico particular estava presente para uma visita. E, obviamente, já conhecia toda a história. Além dele, um enfermeiro e algumas visitas também estavam no quarto. Achei que aquele era um bom momento para uma saia justa. “Você falou pra minha mãe que eu sou muito nervosa, né? Sabe, eu me lembro de ter dito pra você que estava nervosa e queria conversar para me acalmar. Se você não tivesse sido tão grosso, eu poderia ter me acalmado”. “Eu não fui grosso”. “Foi sim. Você disse…” e comecei a repetir as grosserias que ele havia dito no dia anterior. Constrangido, ele pediu desculpas, recomendou uma pomada e bolsa de água quente para diminuir o inchaço e foi embora. Eu não o vi mais, mas em todas as vezes em que voltei ao hospital, fiz questão de contar o episódio para médicos e enfermeiros. E, na maioria das vezes, ouvia comentários sobre sua fama de médico grosseiro com os pacientes.
Ah, sim. A boa notícia do Marco era que eu estava com lábios carnudos de Angelina Jolie. Por ironia do destino, eu estava com boca de atriz pornô justamente no dia em que o resto do corpo parecia ter saído de um filme de guerra.


Você devia ter mantido os lábios carnudos. Caíam-lhe bem. Que tal se você pegasse uma sobra de silicone e… Tá, xapralá.
Comecei a ler teu blog tem umas duas semanas, por coincidência, tinha uma requisição médica pedindo mamografia e ecografia mamária na bolsa mofando há quase um mês… Sou daquelas que sempre deixa pra depois a visita a médicos e afins…
resolvi fazer os exames e e essa semana descubro uma manchinha no seio direito.
Ansiedade é meu nome e Desespero, o sobrenome, lembrei de ti na hora que a ecografia mostrou aquela mancha e o médico fez um “huuuuuuum vamos ver melhor isso aqui, mas por enquanto não te preocupa, tua médica irá conversar contigo”… não te preocupa uma merd@ né,
agora é aguardar o maldito resultado que só sai na semana que vem…
Atriz porno em filme de guerra?! Voce era praticamente uma vietcongue em filme sobre o vietna
Quero anunciar que você ganhou um fã e um torcedor na sua batalha que, em breve, terminará com um final feliz… Parabéns pela coragem, venho aqui todos os dias para ler os seus posts.
Fico emocionado e apreensivo com suas histórias.
um grande beijo,
Seu blog é um exemplo de como até mesmo as piores coisas desse mundo podem ser convertidas em boas… Tenho certeza que você ensinou, ainda que indiretamente, valiosas lições de vida não só para mim, mas para muitos. Parabéns.
Isso sim é o que eu chamo de atriz versátil.
Por que parou? Parou por quê?
Dani… Descobri esse blog hoje, algumas horas atrás. Impossível não chorar com tudo o que você passou, com todas as lutas que você travou e venceu, incluindo o dr. Horse.
Eu já perdi 3 primos para o câncer, e existem outros casos na família. Na minha geração, aparece um caso a cada dez anos, mais ou menos. Parece uma nuvem escura sobre a família, e a cada hora a gente se pergunta quem vai ser o próximo. Já não é nem SE vai ter um próximo.
Enfim… quero dizer que desejo para você tudo de bom que a vida tem para oferecer, porque quem passa por tudo isso merece. Fica com crédito ainda pra algumas vidas futuras, porque é provação demais.
Beijo.