Maio/07 – Como resultado do ataque do Dr. Horse, além dos hematomas, ganhei uma dor no pescoço que me impossibilitou de mexer a cabeça por quatro dias. Junte a isso dois braços semi-imobilizados – o esquerdo pela mastectomia e o direito pelo cateter na veia central – e você tem um robô de pijama florido e touca de lã. Se me deixavam sozinha deitada, eu ficava na mesma posição, mal conseguindo coçar o nariz. Obviamente, eu podia andar sozinha, já que não tinha nenhum problema nas pernas. A dificuldade era sair da posição horizontal. Para sentar na cama, eu precisava que alguém empurrasse minhas costas, sempre apoiando minha cabeça para evitar qualquer movimento do pescoço. Na mão esquerda, eu segurava a campainha para chamar a enfermeira. Na direita, mantinha o controle remoto. Quando um dos dois escorregava para o chão, meu universo entrava em colapso. Mas quem tem um namorido prestativo, dormindo em constante estado de alerta, não precisa se preocupar com nada.
Dae geralmente passa a noite tranqüilo, quase nunca ronca. Porém, quando tem pesadelos, ele fica bastante agitado. Xinga nervosamente enquanto soca o ar ou então mexe as pernas em movimentos de fuga, dependendo da quantidade de zumbis que o perseguem. Para mostrar do que ele é capaz, eu contaria sobre uma noite em que fui subitamente acordada, juntamente com minha mãe, minha irmã e provavelmente alguns vizinhos, por um grito de “VAI TOMAR NO CUUUUU! YEAAAH!” a 200 decibéis, mas eu prefiro não revelar algo tão pessoal. E, mesmo quando tem uma noite inteira sem se alterar, ele leva um tremendo susto ao ser acordado. Com essas características potencializadas pela situação e pelo local, eu tinha praticamente um lêmure hiperativo dormindo ao meu lado. No meio da segunda noite, acordei com o Dae sussurrando. O volume dos sussurros foi aumentando até que deu para ouvir, claramente, que ele dizia “Não! Não!”. Antes que ele começasse a gritar e atraísse enfermeiros assustados, achei prudente acordá-lo. “Dae?”… “Não, não!”. “Dae?”… “Não! NÃO!”. “DAE!”. Meio segundo depois, eu estava sentada na cama, com o Dae puxando o suporte do soro. Ele só entendeu que eu não queria ir ao banheiro quando notou que a paciente do outro lado da mangueirinha do soro não o acompanhava.
Comer era quase uma cena dos Trapalhões. Sem conseguir dobrar o braço direito, restava-me ensinar o braço esquerdo – como eu disse, ainda meio lesado após a mastectomia – a levar o garfo à boca. Sem derrubar a comida no meio do caminho. Tarefa muito difícil. Mas patético mesmo era o banho, tentando não molhar o braço direito, completamente esticado e todo enrolado com filme plástico.
No quinto dia, quando finalmente a dor no pescoço melhorou e eu comecei a dobrar o braço, meu hemograma mostrou níveis menos deprimentes de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Era hora de voltar pro centro cirúrgico para retirar a prótese e eliminar o risco de infecção. E dá-lhe anestesia geral. A segunda naquela semana.


Dani, tudo bem?
Li todo o seu blog hoje e sou sua nova fã.
Parabéns pela força, coragem e seu sucesso.
Não vejo a hora de ler seus ‘próximos capítulos’ …
Um super beijão,
Dani
Loira, você conseguiu me fazer rir e chorar ao mesmo tempo… Bjs
Aff… Babei meu teclado de tanto rir do VAI TOMA NO CU!!!!
Eu não aprendo mesmo, viu!? Inventei de ler este post no laptop durante uma reunião. Análises sobre o péssimo desempenho da empresa no mês de janeiro no telão, e o tonto aqui tendo acessos incontroláveis de riso…
Pois é, fui ler teu blog durante o trabalho…
o resultado foi uma longa conversa entre eu e minha chefe sobre Humor Negro!
Teu blog tá ótimo!
Meu Deus, eu rimuito com esse post…rs