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Atraso

Querem saber por que diabos, mesmo tendo chegado há mais de duas semanas, eu só publiquei dois posts narrando minhas aventuras no Velho Continente?

Acompanhem o drama.

Aliás, foi também meu namorido quem tirou essa linda foto no cabeçalho do blog.

Paris

Tudo que eu me atrever a escrever sobre Paris será pouco. Mesmo que eu publique todas as fotos que tirei na cidade, numa tentativa de reproduzir virtualmente cada rua, cada esquina, cada vasinho de flores na janela, eu não conseguirei transmitir minhas impressões sobre Paris. Nem que eu escreva aquelas cartas quilométricas, cheiras de ‘i’s com pingo em formato de coração, nem assim vocês entenderão o quanto eu me apaixonei por aquela cidade.

Quando saímos do hotel pela primeira vez, cruzamos com um grupo de jovens bêbados, rindo e falando alto, que estendia a noitada de sábado até as nove da manhã do domingo. Ao notar a presença do casal de turistas na rua, um deles veio em nossa direção. Meu coração brasileiro, acostumando à violência urbana, disparou. “Ele vai levar nossas câmeras, nosso dinheiro, nossos passaport…”

“BIENVENUE A PARIS!!”.

Sabe quando aquele(a) gato(a) por quem você está enlouquecidamente apaixonada(o) liga no meio da tarde só pra dizer que está morrendo de saudades? Foi mais ou menos essa satisfação que eu senti diante daquele parisiense sorridente, nos dando as boas-vindas e derrubando o mito de que os franceses são arrogantes.

Aliás, os franceses se mostraram muito simpáticos e prestativos. Incrivelmente perspicazes, eles notavam que se tratava de uma turista assim que eu tentava me comunicar. Eu mal cumprimentava (cumprimenta-se muito na França, uma média de oitenta ‘bonjour’s/’bonsoir’s por dia) e meu interlocutor já começava a gastar seu inglês. Considerando a minha fluência no idioma local, sobrava minha pele bronzeada e minha ginga e malemolência tropical para explicar o fato.

No terceiro dia, sofrendo com uma inflamação teimosa no joelho, resolvi pedir ajuda. Carregando meu dicionário Português/Francês/Português embaixo do braço, como eles carregam suas baguetes, entrei numa farmácia disposta a explicar à atendente o que me afligia. E sair de lá com uma solução de Primeiro Mundo.

- Bonjouuuuuur! – assim, cantado, porque francesa de verdade dá ‘bom dia’ cantando.

- Bonjouuuuuur! – respondeu a saltitante parisiense.

- Eu não fala francês muito bem, mas eu vai tentar, ok?

- Ok. (Notem a gentileza. Eu teria fingido um desmaio ou coisa parecida)

- Minha joelho é doente. Minha joelho não tem problema no músculo, é talvez nervo. Minha joelho dói quando eu anda. Existe patch que melhora dor? Aqueles patch que tira dor, você vende? Ou alguma remédio para engolir, você vende?

- Blablabla patch, blablabla antiinflamatório, blablabla calor e frio, blablabla à noite, blablabla.

- Quanto custa?

- Oito euros – respondeu ela, em inglês, talvez por causa da minha cara de desespero enquanto ela explicava como funcionava o patch.

- É bom, eu quero. Obrigada.

E não é que o tal patch era mesmo eficiente? Ao ser aderido à pele, ele provocava um forte calor na região durante oito horas. Três ou quatro noites dormindo com o patch colado na perna – e sofrendo ao descolá-lo pela manhã -, meu joelho parou de me atormentar. Àquela altura, o inchaço nas canelas, provocado pelas intermináveis horas de vôo, já havia diminuído bastante e eu não tinha mais a sensação de possuir quatro coxas. As rachaduras nos lábios, que eu ganhei no primeiro dia de alta exposição solar, começavam a melhorar. Agora restavam apenas as incontáveis bolhas nos pés que se formavam diariamente, mesmo com o Dae estourando uma a uma no final do dia. Com a viagem ainda na primeira semana, eu decidi que aquele era um preço justo a se pagar e estava disposta a disfarçar a dor e as lágrimas nos olhos fingindo emoção com a beleza da cidade.

A pele bronzeada, a ginga e malemolência da mulher brasileira no Campo de Marte, em Paris

A volta

A pessoa não tem o menor senso de cronologia e começa a narrar as histórias pelo fim… tsk, tsk.

Daqui a pouco eu volto pra continuar de onde parei.

A ida

Durante o vôo e nas duas horas de espera pela conexão para Paris, no aeroporto de Lisboa, eu descobri que tenho um distúrbio mental sério que me impede de entender o idioma falado em Portugal. “Vinho, por favor” foi minha primeira tentativa de comunicação com o comissário de bordo da TAP que servia as bebidas do jantar. A resposta veio em forma de duas frases indecifráveis, seguidas de um sorriso. “Err, suco” e apontei o suco de maçã que meu namorido acabara de receber.

Até Portugal, seriam dez horas com as pernocas espremidas na classe econômica. Mas à noite, dormindo, nós não sofreríamos tanto com a viagem, certo? Assisti à animação Bee Movie nas duas primeiras horas e passei as outras oito tentando dormir. Cheguei destruída em Lisboa. Da capital portuguesa, pegamos um vôo para Paris e passamos mais duas horas enlatados, exaustos, famintos e… “Dani, olha a torre Eiffel!”. … e felizes como duas crianças a caminho do Hopi Hari.

Aqui vale uma explicação sobre nossa preparação pré-viagem. Nas semanas que antecederam o embarque, além de reservar hotéis e programar passeios, nós traçamos as rotas aeroporto/estação de trem – hotel – aeroporto/estação de trem das cidades que visitaríamos. Com todo o mapa de Paris na cabeça (e na bolsa), eu sabia exatamente como ir do aeroporto Charles de Gaulle ao hotel, próximo à estação Pigalle do metrô.

Passada a empolgação diante da torre mais famosa do mundo, notamos que o avião não ia para o norte de Paris, onde fica o Charles de Gaulle. “Ué…”. Chegando ao aeroporto Orly, que por acaso fica do outro lado da cidade, tivemos que imprevisar. Disposta a treinar meu francês, dirigi-me ao simpático rapaz da bilheteria. Serei gentil e traduzirei a conversa, já que nem todos os meus leitores têm a minha fluência no francês, ok?

- Bom dia.
- Bom dia.
- Err. Mim querer ir Pigalle.
- Kikruj lahtma Visit Pass?
- Ã? Não, não. Mim acha bilhetes dez viagem melhor.
- Vocês devem ir até a estação Antony, depois pegam a linha tal para a estação Pigalle.
- Muito obrigada.

No hotel, a conversa com o recepcionista não foi diferente. Quando finalmente entramos no quarto, após toda a maratona, não tínhamos forças para pensar em sair para jantar. Apesar de toda a ansiedade para conhecer a cidade, passamos as primeiras doze horas na capital francesa dormindo.

No aeroporto de Lisboa

Voltei

Ai, ai… Eu nem sei por onde começar.

Prevenção

Qualquer história inventada por este ser criativo. que envolva a minha pessoa, o principado de Mônaco e o vinho do tipo Merlot, é calúnia, calúnia e nada mais que calúnia.

Em breve

A viagem termina no próximo domingo. Semana que vem, começo a contar minha aventura pela Europa.

Aguardem.

Bahianas – Las Originales (Barcelona)

Toscanas – Les Originales (Nice)

Viagem à la Balde de Gelo

Leiam a outra versão da viagem, narrada pelo Dae.

Enquanto a minha não vem, duas fotinhas pra deixar vocês com água na boca:

Cassoulet na França.

Chocolate com churros na Espanha.

Milagre de viagem

Eu tenho um milhão de histórias e fotos da viagem para mostrar, mas antes preciso agradecer a Deus por ter me permitido presenciar um milagre. 

O cenário era o aquário de Barcelona. Um lugar sensacional, onde é possível ver tubarões e arraias passeando por um túnel transparente e… isso eu conto depois. Vamos nos ater ao milagre, que aconteceu no mezanino do aquário, que tem uns 3 metros de altura.

Munida de meu Nokia N73 e sua câmera fotográfica de 3,2 megapixels, subi no mezanino para tentar uma foto panorâmica das pequenas arraias (que nem são as mais legais, mas eu fiquei com pena das bichinhas e fui tirar uma fotinha bacana). Na beira do mezanino, saquei meu celular – um super Nokia N73, já contei? – do bolso, fiz cara de fotógrafa e quando me preparava para finalmente apertar o botão disparador, o aparelho escorregou das minhas mãos e quicou no chão do mezanino. Numa tentativa desesperada e ridícula de tentar pegá-lo antes que ele voasse lá pra baixo, eu chutei o pobrezinho e lá se foi meu celular, numa queda livre de três metros de altura. Nãaaaaa… enquanto ele caía, pude ver um vídeo da minha vida. Das primeiras horas na maternidade, passando pela infância e adolescência, até os melhores momentos da viagem. aaaaaaoooooo!!! Pleft. Lá de cima puder ver os vários pedaços do celular se espalhando pelo ambiente.

Desci as escadas com os olhos cheios d’água e fui recebida por uma adolescente americana que havia recolhido os restos mortais do meu telefone. Ela parecia quase tão chateada quanto eu. “I think it’s broken”, sussurrou. Eu respondi algo como “I think so”, juntei os cacos e subi as escadas do mezanino atrás do Dae, pra dizer que eu iria ao banheiro abrir o berreiro e já voltava.

Ele pegou os objetos que eu carregava na conchinha que fazia com minhas mãos, como uma criança que leva um frágil pintinho, e me mostrou o que eu não havia tido coragem para olhar: um celular, uma bateria e a tampinha da bateria. Ele botou a bateria no celular, fechou com a tampinha e devolveu. Eu apertei o botão de ligar e fechei os olhos. Quando abri, vi o símbolo da Nokia no visor do aparelho e não pude acreditar. Ele não só estava funcionando normalmente como nem arranhado estava!

Obrigada, Deus, por ter inventado a Nokia. E as lindas arraias, claro.

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