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E lá se vão 5 anos

25 de setembro de 2007.
Há exatos cinco anos, eu deixei a clínica de oncologia xaropada de quimio pela última vez. Eu ainda teria quatro dias difíceis pela frente (cada aplicação era um Boeing 747 na fuça – e foram oito naquele ano), mas imagina a minha felicidade. E nunca senti tanta liberdade como naquele dia. ‘Free as a fuckin’ bird’, eu dizia. Hoje eu reclamo da rotina, mas, lembrando daquele ano, posso dizer que amo minha rotina.
Viva a rotina!

Oi, voltei pra deixar uma dica:

Não sei se funciona, mas o video mostra uma nutricionista dando a receita de um lanchinho para pacientes de quimioterapia.

Não entendi o iogurte, já que meu médico dizia que eu deveria evitar todos os derivados do leite…

Nostalgia

Minha vida vem chacoalhando há tanto tempo que, às vezes, eu sinto saudades do tédio…

Resultado

A japonesa não era manicure.

“Provável processo osteoarticular de caráter benigno no joelho esquerdo” (apesar da imagem mostrar claramente o problema no joelho direito)

O que isso quer dizer, eu só vou descobrir quando levar o resultado do exame na consulta com o oncologista, na segunda-feira (27/10).

Quem acreditou nessa última frase, não leu uma única linha dos post que eu já escrevi.

GENTE, É CLAAAAAAARO QUE EU NÃO SOSSEGUEI ENQUANTO NÃO OUVI A OPINIÃO DO MEU MÉDICO!!!

Segundo ele, trata-se de um… nada. Ele disse ao Dae que não é nada. Mas ainda assim eu vou à consulta na segunda-feira, mostrar o exame e esperar que ele diga, olhando nos meus olhos, que eu sou linda e maravilhosa. Digo, que meu joelho só está sentindo o peso dos meus 34 anos (que eu faço em janeiro, preparem os presentes).

Alta tensão

Além de ser o mês da campanha de prevenção ao câncer de mama, outubro tem outra enorme importância na história da humanidade:

Outubro é o mês de Cintilografia Óssea!

Esta tarde, depois de duas horas perambulando pela Vila Olímpia, bairro de São Paulo – esperando o material radioativo se espalhar pelos meus ossos, ou coisa parecida – fiz a segunda cintilografia anual de acompanhamento pós-alforria. Digo, pós-quimioterapia.

Ao final do exame, protagonizei com a enfermeira japonesa o seguinte diálogo:

– Você viu alguma coisa errada no meu exame?

– Isso só o médico pode dizer.

– Sua japaridículadocaralho, o exame tá na sua frente! Dá pra dizer que merda você tá vendo aí? – gritei…  mentalmente. – Mas você não pode dizer se tá tudo certo ou não? – dessa vez em voz alta.

– Eu não tenho autonomia pra isso. Você pode vir buscar o exame com o laudo médico amanhã.

Insisti, argumentando que em TODAS as vezes que realizei esse exame (duas, cá entre nós), o enfermeiro-operador-da-máquina-de-cintilografia-óssea me informou que nada havia de errado. Não adiantou. Tirei minha última carta da manga, na esperança de ter algum sinal. “Pisca uma vez pra ‘tudo bem’ e duas vezes pra ‘tá fodida'”. Mentira, esse brilhante recurso só me ocorreu agora. Na verdade, eu avisei que tenho consulta com o oncologista marcada só para o final de novembro. “Se houver algo que o médico precise ver logo, por favor, me avise pra eu marcar uma consulta pra segunda-feira”. Nada.

– Você está me deixando nervosa!

– Fica tranquila, não se preocupe.

Só consigo pensar em duas possibilidades que expliquem essa falta de compaixão da enfermeira japonesa: ela realmente viu alguma coisa e não quis contar ou ela é uma manicure disfarçada de enfermeira e não faz a menor idéia do que viu naquele exame.

Alguém sabe se vai passar algum filme interessante na TV essa madrugada, já que eu não vou conseguir pregar o olho a noite toda?

Campanha

Esse mês está rolando uma campanha que tem tudo a ver com o tema deste blog.

O movimento Outubro Rosa pretende conscientizar as mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e blablablá…

Mulherada, eu preciso ficar aqui explicando os motivos pelos quais as mulheres devem perder a preguiça de ir ao médico? É necessário dizer que vocês precisam meter a mão nesses peitos pra ver se tem algo errado? Eu devo mesmo pedir para que façam exames como ultrassom e mamografia regularmente? Acho que não, né?

Eu só queria ressaltar duas coisas que essas campanhas não costumam mencionar:

1) nem todo caroço é maligno, ok? Portanto, nada de pânico.

2) mas se for câncer, minha filha, bola pra frente! Informe-se sobre a doença e mete as caras no tratamento.

Colei o selo aí na lateral para quem quiser se informar sobre a campanha e sobre a Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).

Agradecimento

“Os remédios não são suficientes pra curar o câncer”, disse o médico em entrevista ao repórter do SPTV há pouco. Ele se referia à falta que a alegria e o bom humor fazem no tratamento de pacientes de câncer de mama deprimidas e desencorajadas, em matéria que mostrava um desfile organizado pelo Hospital Pérola Byington.

Coincidentemente, eu tenho pensado muito nisso nas últimas semanas. Com a minha mudança para São Paulo, voltei a conviver com as pessoas que seguraram minha onda durante toda a pauleira do ano passado. Amigos e parentes que viram de perto o perrengue que eu passei. Eu disse “viram”? Nada disso. Eles não foram meros espectadores. Eles sofreram comigo, sentindo também cada porrada que eu levava nas surpresas desagradáveis seguidas de descontrole emocional. Difícil imaginar o desespero deles ao me ver chorando, pedindo para ser acordada daquele pesadelo, sem poder dizer nada além de “vai passar, Dani, tudo isso vai passar”. 

Não deve ser nada fácil acompanhar uma pessoa querida sendo atropelada por cirurgias e sessões de quimioterapia e não poder fazer nada para tirá-la daquilo. E aqui eu não estou querendo me vangloriar por ter passado por nada disso, não! Eu realmente me coloquei no lugar do outro, principalmente depois que meu pai teve uma inflamação no ouvido que o deixou de cama por alguns dias.

Pessoas maravilhosas estiveram ao meu lado durante o ano mais conturbado – pra dizer o mínimo – da minha vida. E, mesmo no olho do furacão, essas pessoas se mantiveram firmes, levantando o meu astral até nos momentos mais esdrúxulos. Transformando em piada situações que, para muitos, virariam motivo de drama. E evitando que eu caísse num mar de tristeza e desesperança.

Se vocês acham que eu fui forte, corajosa e exemplar ao manter o otimismo e o bom humor, eu devo todos esses elogios a eles: à melhor mãe do mundo, ao melhor marido do mundo, ao melhor pai do mundo, à melhor irmã do mundo, ao melhor irmãozinho do mundo e aos melhores amigos do mundo. Sem eles, eu teria sido massacrada em 2007.

Queridos, por vocês existirem na minha vida, meu muitíssimo obrigada.

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